25 nov 2011

A grande magia do amor

Post por VeronicaCobas às 07:59 em Crônicas, Verônica Cobas

Durante muito tempo conservei comigo a ideia da incondicionalidade do amor. E não sei em que momento ou período da minha vida comecei a dar uma nova face à ideia de um amor acima e além de qualquer diferença. Talvez a partir do momento em que deixei de ser mãe de filhos pequenos e, já não mais razão da existência deles, consegui compreender melhor o quanto são as diferenças que constroem as afinidades.


São as diferenças que nos permitem compreender e perdoar, e filtrar no coador da concessão aquilo que realmente só preserva relações daquilo que tantas vezes não precisa ser resolvido, mas principalmente compreendido. Também fui a mãe que vivi a experiência da incondicionalidade do amor, e o fiz da forma mais superlativa, abraçando, protegendo, cobrando, ensinando, errando e aprendendo. Mas gosto mesmo da ideia de pensar que hoje sou mais atenta às diferenças e que também é por aí que me sinto mais próxima, mesmo sem viver aquela experiência de um amor incondicional. Amo, amo muito e perdoo muito mais do que concedo. Já estamos bem maduros, todos, para avançar e curtir as relações que já não se constroem mais na ideia da autoridade paterna e materna.

Pensei nesse tema para a crônica de hoje lembrando um pouco da novela das seis, A Vida da Gente. Abro aqui um pequeno preâmbulo: eu adoro novelas das seis horas, adoro o descompromisso com a realidade, adoro a ficção folhetinesca, embora essa história contemple temas que nada tem de descompromisso. Tenho um especial interesse pela relação ensandecida da mãe que vive a dualidade de um amor incondicional por uma filha e o claro desprezo por outra, mas curiosamente fazendo do amor por uma a razão do desamor pela outra. Difícil crer em um amor que é baseado no desamor, embora a personagem dê ao amor que diz sentir pela filha preferida uma característica doentia de incondicionalidade.

Sim, como acredito no amor construído nas diferenças, embora creia que tantas vezes são as afinidades que atraem as pessoas, entendo a proximidade maior que mães possam ter com um ou outro filho. Relações humanas são assim, especialmente as relações adultas. E sempre amamos de formas diferentes porque somos todos pessoas diferentes. Não há medida nesse amor. Difícil pensar em amor com medida, difícil pensar em quantificar um amor. Não há incondicionalidade, mas é amor. Se vai permanecer amor para a vida toda, só os oráculos podem dizer. E eu, pessoalmente, não tenho o menor interesse em perguntar sobre isso. Só viver.

Mas toda a vez que o tema amor construído no desamor aparece no meu entorno, gosto de pensar no quanto me é difícil entender. E aí gosto muito de acompanhar para tentar, mesmo que através da fábula novelesca, tentar explicar. Curiosamente a novela inclui mais uma história que quebra a métrica da incondicionalidade do amor maternal. Outra personagem, a carrasca treinadora Vitória, também tem uma filha a quem renegou não apenas a maternidade, mas a experiência de qualquer vínculo ou sentimento amoroso. E o que mais curioso: até o capítulo atual, ela sequer se incomoda com o tema. Talvez porque suas relações com filhas, ex-marido, companheiros de trabalho e alunas não são baseadas nem nas semelhanças e nem nas diferenças, apenas na ideia do desamor.

Enfim, a fábula só existe porque as histórias, de uma forma ou de outra, nos aproximam, não importa se nas semelhanças ou mesmo nas diferenças. A experiência do amor continua sendo uma grande aventura humana, cujos pontos de partida e de chegada jamais são claros o suficiente para que saibamos para onde nos leva a estrada. Talvez resida aí a grande magia.

Um ótimo final de semana. bjss


6 Responses to "A grande magia do amor" | Add yours »

  1. nov 25, 2011 @ 11:54 {Responder}

    Oie Verônica..eu estou tentando equacionar que são as diferenças que constroem as afinidades como você disse, pra mim ainda é um exercicio a ser praticado diariamente. Acho que a maturidade traz toda essa compreensão da vida mas se não estivermos receptivos para tal nada acontece, é a velha parábola da semeadura, plantar,semear e colher, como tudo na vida.

    Bjokas

  2. nov 25, 2011 @ 13:37 {Responder}

    Pois é, Flavia. Também acho que é difícil. Mas como a maturidade é vantajosa em vários aspectos, um deles é carga de serenidade que incorporamos até para valorizar e aprender com as diferenças. Nada como um dia após o outro. beijão

  3. nov 25, 2011 @ 22:02 {Responder}

    adorei seu blog, tem idéias bem
    criativas!
    Nati
    http://natiquill.blogspot.com

  4. nov 26, 2011 @ 09:12 {Responder}

    Obrigado, Nati. Volte sempre!!!

  5. nov 30, 2011 @ 20:06 {Responder}

    Prefiro pensar que histórias como a desta novela das 6h não existem…
    Como pode uma mãe fazer isso com uma filha? Como preterir um filho a outro?!
    Enfim, a vida como ela é!
    beijos,

  6. dez 18, 2011 @ 04:16 {Responder}

    Belo texto, Verônica, como todos os outros!
    Acho que as vezes o medo supera todos os nossos amores. Isso é triste mas infelizmente vejo em várias pessoas e em diversos setores da vida. Seja profissional ou familiarmente, esse medo salta a frente de todos os outros sentimentos.
    Posso estar enganada, mas é isso que vejo na face daquela personagem, apesar de assistir muito pouco a novela.
    Sucesso e que você continue enchendo nossos dias de textos fascinantes.

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