24 jan 2017

Ah…as festas de casamento!

Post por VeronicaCobas às 11:32 em Crônicas, Verônica Cobas

Dos eventos para as quais sempre tenho uma imensa disponibilidade para ir, as festas de casamento estão no top ten. Salvo raríssimas exceções – que acontecem, é verdade – são acontecimentos repletos de desejos bons, sonhos, amor expresso, olhos brilhando. Mesmo para os casais que já vivem juntos faz tempo, casar é a festa do “sim”, do “a gente acredita”, do “vamos juntar todo mundo para festejar o bom que é estarmos juntos”. Mas é, principalmente, a festa dos que decidiram enfrentar o medo.

Osho diz que o amor é uma flor rara, que às vezes acontece e que é raro porque só pode acontecer quando não existe medo, nunca antes disso. E por isso acontece o amor, porque quando você não tem medo, o medo da outra pessoa também desaparece. Mas o que isso tem a ver com casamento? Sei lá, a não ser a ideia idílica – parte da minha personalidade idealista e Pollyana – de que não há razão para casar, e muito menos para festejar, se não um imenso amor que é capaz até mesmo de vencer o medo que nos acompanha por toda a vida.

Adoro festas de casamento porque realmente me vejo como se em um daqueles divertidos blocos de sujo no carnaval. Não é a fantasia que importa. Não vai ter equipe da Globo filmando e nem aquela imensa galera que corre atrás de blocos para postar no Facebook ou Instagram como se numa competição de links e likes. A gente só quer se divertir e vibrar a energia boa de ser livre, de poder correr atrás do baticumbum como se só houvesse um bom amanhã. Se alguém está vestindo Armani ou Leader no casamento, qual a relevância? Festejar o amor é fazer vibrar a energia daquilo que a gente pode trazer para o coração.

Tem um texto de Santo Agostinho que expressa delicadamente essa sensação que experimento em casamentos, especialmente os que envolvem pessoas queridas. Ele diz assim: “Se ficarem em silêncio, façam um silêncio de amor. Se confessarem, confesse com amor. Se ensinarem, ensinem com amor. Se perdoarem, perdoem com amor. Deixem o amor entrar em vocês. Somente o Bem pode nascer dessa origem”. Acho que é por aí. Deixar o amor entrar é fazer o bloco fluir como se houvesse uma grande praça para brincar, onde fôssemos sempre as eternas crianças para quem não existe julgamento e, portanto, não há condenação. Somos apenas pierrôs, colombinas, palhaços, soldadinhos, piratas, mágicos, bailarinas. Somos tudo o que quisermos ser porque, tal qual Clarice Falcão, ” de todos os loucos do mundo eu quis você porque eu tava cansada de ser louca assim sozinha. De todos os loucos eu quis você porque a sua loucura parece um pouco a minha.

Quando não há medo, não há dúvida. Então, por que não casar se por mais que as estatísticas digam do número de relações rompidas, de casamentos desfeitos, de desafeições e desacertos? Por que não casar mesmo que casar seja tão somente construir a casa mágica da vida em comum? Por que não festejar a casa que é construção permanente, assim como as relações afetivas, mesmo que a formalização cartorial não se realize? Por que não podemos fazer do jeito que queremos e não importa porque queremos se assim genuinamente desejamos?

Definitivamente, adoro casamentos como adoro a ideia do plano, do sonho, da caminhada, do trajeto, da superação, do eu que vive na ideia do nós. Brindemos a isso porque viver também é se aventurar…não importa se na montanha russa radical ou no singelo jogo de damas.

 



2 Responses to "Ah…as festas de casamento!" | Add yours »

  1. Márcia Pimentel
    jan 24, 2017 @ 14:35 {Responder}

    Estava com saudades de seus textos maravilhosos! Adorei a volta do criativesse!
    Você expressa através da palavras sentimentos muito bons, deixam meus dias muito melhores!
    Mesmo não a conhecendo te admiro muito! Parabéns!

  2. Sybelle
    jan 24, 2017 @ 19:17 {Responder}

    Que saudades dos seus textos
    E que bom ter vocês perto novamente.

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