10 fev 2017

Nós sempre queremos um amor assim

Post por VeronicaCobas às 10:41 em Crônicas, Verônica Cobas

Estou envolta pelo tema do amor, penso nisso todo o tempo, quero novidades, encontro referências, pesquiso poesias, descubro canções. Se isso também é estar apaixonada, rendo-me imediatamente.  Porque estar em estado de paixão é delicioso, seja qual for a motivação, razão ou inspiração.

Continuo casada com o mesmo marido, por quem assim de repente, no pequeno gesto, no sorriso suave, no café da manhã ou dormindo na madrugada, me apaixono. Mas essa que hoje me toma é aquela que vejo na minha frente, do qual sou só espectadora. Aceitei o desafio de, junto com Carlos, ser celebrante de um casamento. Não só de um casamento definido como o compromisso formal e oficial de duas pessoas na direção de um contrato que as une e através da qual se criam os vínculos sócio-jurídico-econômicos. Mas, sim um casamento signo da escolha de duas pessoas que se amam pela ideia, idílica e real, de seguir juntos na mesma caminhada.

E durante um mês me permiti ser tomada pela magia Shangri-lá de um amor eterno porque eternos são todos os amores, mesmo aqueles que se desfazem na poeira da vida  ou se perdem entre os móveis e tapetes da casa. Foi bom? Muito. Foi falso ou irreal? Claro que não. Mora em mim alguém enternecido por relações legais, que somam tudo aquilo que relações legais vivenciam, incluindo as eventuais rusgas, desavenças, discordâncias, dissonâncias e tal e coisa. Afinal, somos vocacionados para aprender errando. Nosso DNA foi construído no joelho ralado, na escolha mal feita, na interpretação equivocada. Sem isso, não conseguimos ver luz para além da porta. E sério…não dá para chegar perto da praia e não sentir o cheiro bom do mar.

Pois fomos os celebrantes do casamento da minha sobrinha Fernanda com o doce Gustavo. Escolhidos por eles para representar esse sim coletivo que todos os presentes à cerimônia puderam oferecer ao amor. Claro que ser razão da opção de alguém suscita sempre alguma interpretação sobre a razão da escolha. Mas não quis oferecer um neurônio sequer nessa viagem de porquês. Achei que era tão somente um gesto de amor, de carinho, de admiração. E nessa viagem fui construindo o roteiro, debatendo ideias, pensando na condução desse momento tão especial para os dois. De vez em quando ajustando uma rota aqui outra acolá com a noiva, mas sem revelar aquilo que construíamos para surpreender e emocionar.

Carlos cuidou dos textos que cabiam a ele, especialmente naqueles onde cabia algo mais divertido, bem humorado. Aqui cabe um parêntese: jornalistas são entes do qual sempre se espera textos brilhantes e de notório saber. Nem sempre conseguimos e quando não dá para fazer, a gente inventa, é claro. Principalmente, quando a ideia é escrever conteúdo cujo estilo e forma fogem completamente daquela linha onde nos sentimos, muito mais do que escrevendo, meio que psicografando. É verdade…é nessa linha que eu me sinto mais à vontade. Não sou engraçada nos textos, falta um talento para contar histórias divertidas. Mas me peça algo com algum punhado de emoção, doses generosas de enredo emocional, e estamos juntos.

O poema da Elisa Lucinda, “Da chegada do amor”, foi o fio condutor da cerimônia. Dividido em partes, o maravilhoso texto da poeta foi lido por amigos da Nanda e do Gustavo, para completa surpresa deles. O altar foi formado pelos elementos da natureza, Terra, Água, Fogo e Ar, que foram trazidos pelas crianças da família. Afinal, se somos expressão divina e um dos elos dessa grande cadeia mágica que faz brotar a vida, nada mais justo que os elementares fossem razão da homenagem ao amor.

E teve depoimento de amigos, bênção através dos tios do Gustavo, balão de gás em formato de coração, chuva de arroz e muito abraço e beijo no meio da cerimônia porque casamento não precisa necessariamente ser um evento religioso. Pode ser ecumênico, espiritual, afetivo, energético e holístico. Pode ser na praia, no campo e até na pracinha que contém as digitais da infância. Fernanda e Gustavo escolheram essa última opção e tudo conspirou a favor de uma celebração única, abençoada por Deus e bonita por natureza. Como mote central de todas as etapas do casamento, a frase “Fernanda e Gustavo sempre quiseram um amor assim” entremeou todos os momentos lindos vividos. E foi assim que aconteceu.

Se casamentos cada vez mais terminam em menos tempo, se histórias de amor podem se transformar em contos de Stephen King… realmente, qual a importância desses fatos, dados, estatísticas cuja razão não mora na emoção? Quando há amor, se há amor e se o amor é ingrediente cuja fonte energética é o bem, o bom e paz, a vida é linda, a história é incrível, o futuro não tem importância alguma.

Que bom que pode ser assim. E assim já é!

 

 



2 Responses to "Nós sempre queremos um amor assim" | Add yours »

  1. sybelle
    fev 10, 2017 @ 17:00 {Responder}

    Minha nossa que texto emocionante, recheado de amor, ternura.
    Amei e que bom que ainda venho aqui; pois só encontro amor!
    bjs para Fernanda e Gustavo.
    PS. Imagino a emoção em celebrar essa união, certeza que foi mágico.

  2. fev 10, 2017 @ 18:51 {Responder}

    Foi lindo, foi emocionante, foi único!
    A escolha da. Elevar te foi mais que perfeita!
    Beijos,
    Lu

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