Crônicas

17 jul 2015

Os múltiplos talentos

Post por VeronicaCobas às 15:49 em Crônicas, Verônica Cobas

Outro dia estava pensando em pessoas com inúmeros talentos. Gente que escreve, compõe, representa, toca instrumentos, participa de maratonas, pinta,borda, passa,cozinha. Gente que sempre surpreende, que nos faz ficar com aquela cara de quem viu algo extraordinário, mas não de inveja, não de desejo insano de ser igual, com igual reconhecimento, mas simplesmente com o ar de quem se impressionou. Gente assim como…nós, mulheres. Quer coisa mais múltipla de talentos, competências, haveres, saberes e dizeres do que as mulheres…e que, além de tudo, ainda reproduzem, gestam, parem, acolhem, adulam, carregam todas as culpas do mundo.

Não é para se dizer especial, não é para ficar cega pela nuvem da vaidade, não é para se afirmar merecedora de loas além da humanidade, mas é que é real e, ao mesmo tempo, tantas vezes, quase sempre, subdimensionado. Mulheres carregam as bolsas com as tralhas e valores desse país e de nossa gente. e não só porque somos o maior contingente populacional, mas porque  somos parte da origem de todos os demais elos dessa gigantesca cadeia populacional.… Leia Mais...

10 jul 2015

Um ato solitário, único e indivisível

Post por VeronicaCobas às 11:29 em Crônicas, Verônica Cobas

Escrever é um ato solitário, único, indivisível, por mais que revisemos, rasguemos as folhas, tentemos recomeçar a partir de um mesmo parágrafo. E não é diferente de viver, por mais que estejamos permanentemente – o círculo fisiológico do dormir e acordar parece sempre um estímulo à ideia de um novo começo – dando início a novos ciclos. Não há dor, pelo menos ao meu olhar, no que é solitário. A adjetivação da expressão solidão é que soma ao momento solitário uma série de outros sentimentos do ontem e do amanhã. Porque estar sozinha não significa necessariamente estar abandonada, ou desprezada, ou empurrada para o poço fundo e escuro do desapego. Não representa a certeza de se tem menos valia, do “ninguém me ama”, do ” o que foi que eu fiz de errado”.

Amar é um ato solitário, único, indivisível, por mais que o associemos à troca, ao compartilhamento, como se não fosse possível amar sem escambo, sem declarações expressas e permanentes – em duas vias autenticadas, por favor.… Leia Mais...

26 jun 2015

Essa semana…

Post por VeronicaCobas às 13:39 em Crônicas, Verônica Cobas

Essa semana, um assunto tomou conta das redes sociais e dos programas vespertinos de televisão – o que prova que, tantas vezes, esses dois segmentos parecem iguais na amplificação de bobagens e na exploração desmedida do sofrimento alheio. Foi a cobertura da morte do cantor sertanejo Cristiano Araújo em um acidente automobilístico. Enquanto nas redes web uma grande quantidade de pessoas falava e até ironizava o desconhecimento sobre quem era a figura que gerava tamanha comoção, os programas de televisão – em especial aqueles entremeados por duzentos e cinquenta mil inserções publicitárias realizadas ao vivo, vendendo de cogumelo solar a colchão usado pela Nasa – externavam a morbidez midiática, falando do tema em seus mínimos detalhes. Mas é que os programas estavam respondendo a um claro interesse de uma parcela imensa da população, que não só conhecia o cantor e suas músicas, mas que – em sua grande maioria – é o mesmo público que adora esses programas que não buscam informação, mas impacto emocional travestido de audiência.… Leia Mais...

19 jun 2015

A triste vaidade do craque

Post por VeronicaCobas às 13:56 em Crônicas, Sem categoria, Verônica Cobas

Não sou uma especialista em futebol, mas entendo alguma coisa do assunto, nem que seja tão somente o conhecimento empírico adquirido nas milhares de horas que já passei assistindo a partidas de futebol. Ou ainda pelo fato de realmente gostar do esporte, de torcer por um time bem popular – sim, eu sou Flamengo – ou, quem sabe, porque me casei há 35 anos com um jornalista esportivo.

O fato é que vejo futebol e acompanho o cotidiano dos jogos, jogadores, desempenhos, tabelas e afins. Tenho noção clara e ampla sobre a realidade do esporte e, principalmente, do que se refere à formação dos jogadores brasileiros, em sua absoluta maioria advindos de situações sociais de vulnerabilidade, pobreza, miséria, desesperança e onde a transformação de um jovem em jogador de futebol, de sucesso ou não, significa ascensão social, status, autoestima familiar, enriquecimento, compras, carros, apartamentos, mulheres, etc.

É fácil entender o deslumbramento de uma nova realidade, o exagero, a ostentação – comum também a outras categorias  que traduzem a realidade desse nosso país tão diverso e injusto.… Leia Mais...

12 jun 2015

A prateleira de nossas histórias

Post por VeronicaCobas às 12:10 em Crônicas, Verônica Cobas

Na festa do aniversário de 60 anos da minha irmã, um grande painel de fotos das várias épocas e etapas da vida dela foi a atração. É curioso o interesse que fotos antigas  despertam, como se pudéssemos voltar no tempo e não para repetir aquilo que aquele tempo nos trouxe, mas tão somente para olhar o passado com os olhos de hoje, com aquele distanciamento emocional que nos permite ver de fora, e com a sensação clara, concreta, do quanto não somos mais aquelas pessoas que ali estavam.

Não sei com vocês, mas isso não me dói. Não tenho nostalgia de ser que não sou mais, até porque não consigo mais ver naquela pessoa referência alguma que me inspire ao desejo Benjamin Button de andar para trás. Vejo as fotos, adoro lembrar – ou quase sempre não lembrar – das situações, inevitável admitir e admirar o quanto estávamos jovens, de pele lisinha, sem dobrinhas ou rugas.… Leia Mais...