Crônicas

23 jan 2015

A caixa de ferramentas

Post por VeronicaCobas às 07:17 em Crônicas, Verônica Cobas

Conversas da hora do almoço costumam ser aquelas que me inspiram análises mais claras sobre os fatos. Não há nada mais concreto do que a fome e o resultado bom e imediato que o o ato de comer nos proporciona. Essa sensação de conforto é que desperta o meu pensamento para os devaneios filosóficos. Ou mesmo para tão somente levantar questões que mais tarde, lá na hora do café da noite, vou trazer de novo ao palco das minhas elucubrações para esmiuçar e olhar de fora.

Durante o simplório almoço de ontem, em restaurante a quilo sem nenhum apelo, estético ou gastronômico, fiquei pensando no quanto de pequenas maldades carregamos em nosso arsenal de ferramentas. Há que se ter clareza sobre isso, não é? Não somos santos, não somos apenas bons pensamentos. Não agimos o tempo todo sempre no limiar da bondade ou da generosidade. E isso não quer dizer que sejamos intrinsecamente maus, ou que exploremos com afinco esse lado mais sombrio que pertence à alma humana.… Leia Mais...

16 jan 2015

Quando o calor é o tema de todas as conversas

Post por VeronicaCobas às 07:54 em Crônicas, Verônica Cobas

Faz 57 verões que estou vivendo em terras cariocas. Está certo que alguns períodos desses verões estive fora da cidade que – dizem – é abençoada por São Sebastião. Não deve ser à toa que o homem santo se revela em poucas vestes. O calor sempre foi a característica maior dos janeiros, e fevereiros, e marços dessa localidade. Em alguns desses verões fui desfrutar de outros verões, quentes também, mas muito menos do que por aqui. Curioso pensar – apesar da clareza que tenho sobre as transformações que a mãozinha pesada do homem impôs à natureza – como é que a gente sobrevivia sem dor em uma época onde itens como “ar condicionado” pertenciam ao mundo dos que habitavam Bervely Hills.

Nasci num dia 2 de janeiro e, segundo minha mãe me contou, fazia um calor grande. Morávamos no bairro do Irajá, a casa era pequena, havia um ventilador reservado para a doce criança que, naquela época, em pleno século XX, ainda usava cinteiro, um instrumento medieval que no passado todos experimentavam assim que nasciam.… Leia Mais...

09 jan 2015

Feliz novo tempo em que seremos melhores!

Post por VeronicaCobas às 06:42 em Crônicas, Verônica Cobas

Tenho pensado se somos todos esse ódio, toda a crueldade que em nome das mais diversas razões e bandeiras,realizamos. Tenho pensado se somos realmente razão e emoção, quando não sabemos mais como estabelecer fronteiras ou uma zona mista de convivência equilibrada entre os dois polos, quando usamos da emoção como desculpa ou ferramenta para destrinchar as mazelas da razão ou quando sob as vestes do equilíbrio maquiavélico da razão, só fazemos uso da emoção que nos interessa, quase sempre para justificar aquilo que a razão engendra nos porões da alma.

Não! Não começo o ano – e retomo as crônicas do blog – com o peso pesado das dores/dissabores da vida. Muito ao contrário, gosto de começar o ano emblematicamente limpando a casa, sacudindo os colchões, vasculhando os cantos. Mas é que tudo isso está escancarado na nossa frente, é manchete de jornal, é tema de 90 % do noticiário da tv, é o que o vizinho conta, é o que vemos nas ruas, é o que os filhos trazem, o marido comenta, os amigos apontam….… Leia Mais...

19 dez 2014

E o final de ano chegou…

Post por VeronicaCobas às 06:58 em Crônicas, Verônica Cobas

Chega o final do ano e é inevitável o momento de avaliar como foram os 365 dias vividos. Como somos auto-protetores, certamente jogaremos alguns acontecimentos na gaveta do fundo do armário para nem lembrar, mas sempre haverá aquele momento em que, para fazer bem ou para fazer mal, vamos realizar o que aconteceu e falar …pra si mesmo, para o companheiro/a mais próximo, para os amigos mais queridos, naquele dia da confraternização em que o álcool além da conta permite a liberdade consentida de deixar vazar o que foi bom e o que não foi bom também.

Minha amiga Karla sempre diz para mim que tudo é bom e nós sempre batemos na mesma tecla da discussão semântica. Eu não acho que tudo é bom, o que não quer dizer que reconheça que, tantas vezes, os acontecimentos ruins nos permitem repensar, reconstruir, fazer tudo de novo ou mudar completamente. E isso sim é sempre bom.  … Leia Mais...

12 dez 2014

O bom é aprender e deixar viver

Post por VeronicaCobas às 06:56 em Crônicas, Verônica Cobas

Das dicotomias humanas, a mais crucial é a eterna impermanência entre sermos assim do jeito que somos – absolutamente individualistas – e dependermos tão visceralmente do afeto dos outros. Saímos do ninho quente e amniótico do ventre da mãe e esta será sempre a melhor e mais forte expressão daquilo que buscamos como conforto, por mais que vivamos em um mundo tantas vezes só nosso, por mais que busquemos alguém ou muitos alguém que existam apenas para ver-nos com os olhos que nos mesmos nos vemos, assim do jeito protetor, vitimizado, forte, poderoso, frágil, equilibrado e insano com o qual nos olhamos e sobre o qual, por mais que eventualmente nos culpemos, permanentemente nos perdoamos.

Crescemos, amadurecemos, mas não conseguimos aprender a ver o mundo sem os antolhos desse universo paralelo que criamos no nosso entorno e no qual somos os imperadores, soberanos de um reino não necessariamente despótico, mas onde as decisões, as escolhas, os prazeres, os saberes e as vontade são só nossos.… Leia Mais...