Crônicas

26 jun 2015

Essa semana…

Post por VeronicaCobas às 13:39 em Crônicas, Verônica Cobas

Essa semana, um assunto tomou conta das redes sociais e dos programas vespertinos de televisão – o que prova que, tantas vezes, esses dois segmentos parecem iguais na amplificação de bobagens e na exploração desmedida do sofrimento alheio. Foi a cobertura da morte do cantor sertanejo Cristiano Araújo em um acidente automobilístico. Enquanto nas redes web uma grande quantidade de pessoas falava e até ironizava o desconhecimento sobre quem era a figura que gerava tamanha comoção, os programas de televisão – em especial aqueles entremeados por duzentos e cinquenta mil inserções publicitárias realizadas ao vivo, vendendo de cogumelo solar a colchão usado pela Nasa – externavam a morbidez midiática, falando do tema em seus mínimos detalhes. Mas é que os programas estavam respondendo a um claro interesse de uma parcela imensa da população, que não só conhecia o cantor e suas músicas, mas que – em sua grande maioria – é o mesmo público que adora esses programas que não buscam informação, mas impacto emocional travestido de audiência.… Leia Mais...

19 jun 2015

A triste vaidade do craque

Post por VeronicaCobas às 13:56 em Crônicas, Sem categoria, Verônica Cobas

Não sou uma especialista em futebol, mas entendo alguma coisa do assunto, nem que seja tão somente o conhecimento empírico adquirido nas milhares de horas que já passei assistindo a partidas de futebol. Ou ainda pelo fato de realmente gostar do esporte, de torcer por um time bem popular – sim, eu sou Flamengo – ou, quem sabe, porque me casei há 35 anos com um jornalista esportivo.

O fato é que vejo futebol e acompanho o cotidiano dos jogos, jogadores, desempenhos, tabelas e afins. Tenho noção clara e ampla sobre a realidade do esporte e, principalmente, do que se refere à formação dos jogadores brasileiros, em sua absoluta maioria advindos de situações sociais de vulnerabilidade, pobreza, miséria, desesperança e onde a transformação de um jovem em jogador de futebol, de sucesso ou não, significa ascensão social, status, autoestima familiar, enriquecimento, compras, carros, apartamentos, mulheres, etc.

É fácil entender o deslumbramento de uma nova realidade, o exagero, a ostentação – comum também a outras categorias  que traduzem a realidade desse nosso país tão diverso e injusto.… Leia Mais...

12 jun 2015

A prateleira de nossas histórias

Post por VeronicaCobas às 12:10 em Crônicas, Verônica Cobas

Na festa do aniversário de 60 anos da minha irmã, um grande painel de fotos das várias épocas e etapas da vida dela foi a atração. É curioso o interesse que fotos antigas  despertam, como se pudéssemos voltar no tempo e não para repetir aquilo que aquele tempo nos trouxe, mas tão somente para olhar o passado com os olhos de hoje, com aquele distanciamento emocional que nos permite ver de fora, e com a sensação clara, concreta, do quanto não somos mais aquelas pessoas que ali estavam.

Não sei com vocês, mas isso não me dói. Não tenho nostalgia de ser que não sou mais, até porque não consigo mais ver naquela pessoa referência alguma que me inspire ao desejo Benjamin Button de andar para trás. Vejo as fotos, adoro lembrar – ou quase sempre não lembrar – das situações, inevitável admitir e admirar o quanto estávamos jovens, de pele lisinha, sem dobrinhas ou rugas.… Leia Mais...

29 mai 2015

Quero ser assim quando crescer

Post por VeronicaCobas às 16:31 em Crônicas, Sem categoria, Verônica Cobas

No dia da missa de sétimo dia da morte de minha mãe, lembro bem de várias das palavras do padre, mas de todas, uma delas ficou gravada em mim. Ele falava da importância de preservarmos, eu e minha irmã, aquele vínculo para além da presença física de minha mãe. Se antes a tínhamos como referência para os encontros frequentes – minha mãe morou em seus últimos anos de vida com a minha irmã – a partir daquele momento, a relação próxima, cuidada com o carinho dos que se admiram e amam independentemente dos vínculos genealógicos, precisaria do desejo genuíno de espelhar aquilo que antes nos unia.

Naquele dia, em meio àquele turbilhão de sentimentos, fui para casa com essa mensagem e me questionei repetidamente sobre se o que me unia à minha irmã era tão somente a figura aglutinadora da minha mãe. Sabia que não, mas aquela era também uma oportunidade de ressignificar.… Leia Mais...

23 mai 2015

De que serve a educação que é escrava do conteúdo?

Post por VeronicaCobas às 09:49 em Crônicas, Verônica Cobas

Leiam isto. Quem diz é o psiquiatra chileno Claudio Naranjo, pesquisador dos comportamentos sociais e da educação, professor da Universidade de Berkeley e um dos indicados para o Prêmio Nobel da Paz em 2015. “Temos um sistema que instrui e usa de forma fraudulenta a palavra educação para designar o que é apenas a transmissão de informações. É um programa que rouba a infância e a juventude das pessoas, ocupando-as com um conteúdo pesado, transmitido de maneira catedrática e inadequada. O aluno passa horas ouvindo, inerte, como funciona o intestino de um aninal, como é a flora num local distante e os nomes dos afluentes de um grande rio. É uma aberração ocupar todo o tempo da criança com informações tão distantes dela, enquanto há tanto conteúdo dentro dela que pode ser usado para que ela se desenvolva. Como esse monte de informações pode ser mais importante que o autoconhecimento de cada um?… Leia Mais...