Verônica Cobas

27 fev 2015

Me sinto cada vez mais um dinossauro

Post por VeronicaCobas às 10:51 em Crônicas, Verônica Cobas

Olho no meu entorno e percebo cenas contraditórias como beijos loucos e discussões acaloradas. Algo assim como o amor e a discordância, ou a incompreensão, em estado de latência eterna. Vocês já repararam como casais brigam ao seu redor? Observem! Ando pelas ruas, nas cidades, nas casas, onde quer que eu caminhe vejo mulheres e homens que estão juntos, em relações dos mais variados perfis, e discutindo.

Casais brigam…ou melhor, se desentendem, se chateiam, discordam, debatem temas, discutem relação e se acertam. Ou não. Assim como todas as pessoas. Mas é sempre difícil entender – pelo menos para mim – porque duas pessoas escolhem ficar juntas e compartilhar uma vida em comum se a indisposição para o acordo, para o prazer, para a concessão inevitável, para o entendimento do desejo do outro parece ser a única escolha.

Casais se entristecem com as escolhas eventuais de um ou de outro, mas me espanta perceber um estado de beligerância iminente a cada escolha, do melhor caminho para ir a qualquer lugar,  ou como atender a um pedido do filho, ou  o que fazer diante de um convite de amigos para um churrasco, ou como lidar com as sogras ou sogros, ou mesmo se um dos dois beijou, ou abraçou ou fez sexo de um jeito atravessado, ou diferente, e que suscita razões infindáveis sobre se ainda há amor e desejo.… Leia Mais...

30 jan 2015

Virando a página

Post por VeronicaCobas às 06:54 em Crônicas, Verônica Cobas

Para virar a página é preciso ter lido o livro, ter marcado as páginas com o suor e as lágrimas, com os sinais e rastros dos trechos inclusive que não tivemos a coragem ou a vontade de ler nas minúcias e nas entrelinhas. Para virar a página não é preciso não lembrar mais ou não trazer de volta aquilo que nos fez sorrir ou sofrer. Virar a página é subir um degrau, é sair através da porta e se permitir respirar o ar leve e ter certeza de que aquela escolha representa o conforto, o equilíbrio harmônico entre nosso corpo e alma, a sensação fluida da plenitude, não importa o custo, as perdas, a contabilidade da vida expressa em dias ou em reais.

Para virar a página é preciso medo e coragem, milhares de dúvidas e infinitas certezas. Mesmo que pareça ter sido um ato involuntário, acredite: não foi. Não existam atos involuntários porque sabemos o quanto construímos a nossa liberdade mesmo que, tantas vezes, e aos olhos turvos e míopes, combatendo as nós mesmos.… Leia Mais...

23 jan 2015

A caixa de ferramentas

Post por VeronicaCobas às 07:17 em Crônicas, Verônica Cobas

Conversas da hora do almoço costumam ser aquelas que me inspiram análises mais claras sobre os fatos. Não há nada mais concreto do que a fome e o resultado bom e imediato que o o ato de comer nos proporciona. Essa sensação de conforto é que desperta o meu pensamento para os devaneios filosóficos. Ou mesmo para tão somente levantar questões que mais tarde, lá na hora do café da noite, vou trazer de novo ao palco das minhas elucubrações para esmiuçar e olhar de fora.

Durante o simplório almoço de ontem, em restaurante a quilo sem nenhum apelo, estético ou gastronômico, fiquei pensando no quanto de pequenas maldades carregamos em nosso arsenal de ferramentas. Há que se ter clareza sobre isso, não é? Não somos santos, não somos apenas bons pensamentos. Não agimos o tempo todo sempre no limiar da bondade ou da generosidade. E isso não quer dizer que sejamos intrinsecamente maus, ou que exploremos com afinco esse lado mais sombrio que pertence à alma humana.… Leia Mais...

16 jan 2015

Quando o calor é o tema de todas as conversas

Post por VeronicaCobas às 07:54 em Crônicas, Verônica Cobas

Faz 57 verões que estou vivendo em terras cariocas. Está certo que alguns períodos desses verões estive fora da cidade que – dizem – é abençoada por São Sebastião. Não deve ser à toa que o homem santo se revela em poucas vestes. O calor sempre foi a característica maior dos janeiros, e fevereiros, e marços dessa localidade. Em alguns desses verões fui desfrutar de outros verões, quentes também, mas muito menos do que por aqui. Curioso pensar – apesar da clareza que tenho sobre as transformações que a mãozinha pesada do homem impôs à natureza – como é que a gente sobrevivia sem dor em uma época onde itens como “ar condicionado” pertenciam ao mundo dos que habitavam Bervely Hills.

Nasci num dia 2 de janeiro e, segundo minha mãe me contou, fazia um calor grande. Morávamos no bairro do Irajá, a casa era pequena, havia um ventilador reservado para a doce criança que, naquela época, em pleno século XX, ainda usava cinteiro, um instrumento medieval que no passado todos experimentavam assim que nasciam.… Leia Mais...

09 jan 2015

Feliz novo tempo em que seremos melhores!

Post por VeronicaCobas às 06:42 em Crônicas, Verônica Cobas

Tenho pensado se somos todos esse ódio, toda a crueldade que em nome das mais diversas razões e bandeiras,realizamos. Tenho pensado se somos realmente razão e emoção, quando não sabemos mais como estabelecer fronteiras ou uma zona mista de convivência equilibrada entre os dois polos, quando usamos da emoção como desculpa ou ferramenta para destrinchar as mazelas da razão ou quando sob as vestes do equilíbrio maquiavélico da razão, só fazemos uso da emoção que nos interessa, quase sempre para justificar aquilo que a razão engendra nos porões da alma.

Não! Não começo o ano – e retomo as crônicas do blog – com o peso pesado das dores/dissabores da vida. Muito ao contrário, gosto de começar o ano emblematicamente limpando a casa, sacudindo os colchões, vasculhando os cantos. Mas é que tudo isso está escancarado na nossa frente, é manchete de jornal, é tema de 90 % do noticiário da tv, é o que o vizinho conta, é o que vemos nas ruas, é o que os filhos trazem, o marido comenta, os amigos apontam….… Leia Mais...