Verônica Cobas

21 ago 2015

Sobre o peso que carregamos

Post por VeronicaCobas às 12:16 em Crônicas, Verônica Cobas

Relações humanas são assim que nem a prateleira de um supermercado. Ali estão produtos que pesam, engordam, nos fazem acumular gorduras, fazem mal à saúde. E também aqueles que nos afinam, emagrecem os excessos, dão equilíbrio  – embora isso sempre possa mudar – e nos fazem leves. Sempre temos o poder da livre escolha, somos capazes de perceber, tão logo começa a acontecer, os sinais de histórias que saem da rota, que parecem caixas cheias de tralhas que não conseguimos arrumar e que não só ficam ali, como vamos colocando mais e mais itens, transbordando até que o incômodo é maior, é imenso, impossível de carregar ou arrastar.

Porque o outro pode nos pesar muito, tanto quanto podemos trazer peso além do poder do outro de desejar ou suportar  carregar. Afinal, não somos assim produtos desenvolvidos apenas na versão light. E o pacote completo, o combo nem sempre saudável que podemos ser, pode não fazer bem para alguém, o que não quer dizer que carreguemos o glúten que tanto malefício traz aos intolerantes.… Leia Mais...

10 ago 2015

Do mundo bizarro não quero fazer parte, não!

Post por VeronicaCobas às 12:37 em Crônicas, Sem categoria, Verônica Cobas

Existe um mundo bizarro que me surpreende e, não tão raro assim, quase sempre me assusta. Sei que o que vejo como bizarro é tantas vezes agradável, corriqueiro, algo assim como parar numa cafeteria para um espresso, para muitas pessoas. Bizarro é adjetivação e, portanto, resultado de julgamento baseado em um olhar sobre a vida, construído nas teias do que a vida foi fazendo de cada um de nós. Ninguém nasceu bizarro, é fato. Nem veio ao mundo já pensando em fazer uma lista daquilo que, lá na frente, acharia exótico. Mas aconteceu e como somos todos partes desse grande universo de pessoas e suas esquisitices, preciso dizer que o mundo bizarro me impacta, às vezes até cria aquele vácuo na alma que me faz pensar que, talvez, esse mundo louco seja o comum e que eu, afinal, é que sou bizarra.

Por que, afinal, as pessoas curtem compartilhar em suas redes sociais atrocidades com animais como se, ao fazê-lo, estivessem tão somente denunciando os maus tratos e não, o que a mim parece, experimentando o mórbido prazer de fazer parte do mundo bizarro com a boa desculpa de que, na verdade, não faz parte?… Leia Mais...

17 jul 2015

Os múltiplos talentos

Post por VeronicaCobas às 15:49 em Crônicas, Verônica Cobas

Outro dia estava pensando em pessoas com inúmeros talentos. Gente que escreve, compõe, representa, toca instrumentos, participa de maratonas, pinta,borda, passa,cozinha. Gente que sempre surpreende, que nos faz ficar com aquela cara de quem viu algo extraordinário, mas não de inveja, não de desejo insano de ser igual, com igual reconhecimento, mas simplesmente com o ar de quem se impressionou. Gente assim como…nós, mulheres. Quer coisa mais múltipla de talentos, competências, haveres, saberes e dizeres do que as mulheres…e que, além de tudo, ainda reproduzem, gestam, parem, acolhem, adulam, carregam todas as culpas do mundo.

Não é para se dizer especial, não é para ficar cega pela nuvem da vaidade, não é para se afirmar merecedora de loas além da humanidade, mas é que é real e, ao mesmo tempo, tantas vezes, quase sempre, subdimensionado. Mulheres carregam as bolsas com as tralhas e valores desse país e de nossa gente. e não só porque somos o maior contingente populacional, mas porque  somos parte da origem de todos os demais elos dessa gigantesca cadeia populacional.… Leia Mais...

10 jul 2015

Um ato solitário, único e indivisível

Post por VeronicaCobas às 11:29 em Crônicas, Verônica Cobas

Escrever é um ato solitário, único, indivisível, por mais que revisemos, rasguemos as folhas, tentemos recomeçar a partir de um mesmo parágrafo. E não é diferente de viver, por mais que estejamos permanentemente – o círculo fisiológico do dormir e acordar parece sempre um estímulo à ideia de um novo começo – dando início a novos ciclos. Não há dor, pelo menos ao meu olhar, no que é solitário. A adjetivação da expressão solidão é que soma ao momento solitário uma série de outros sentimentos do ontem e do amanhã. Porque estar sozinha não significa necessariamente estar abandonada, ou desprezada, ou empurrada para o poço fundo e escuro do desapego. Não representa a certeza de se tem menos valia, do “ninguém me ama”, do ” o que foi que eu fiz de errado”.

Amar é um ato solitário, único, indivisível, por mais que o associemos à troca, ao compartilhamento, como se não fosse possível amar sem escambo, sem declarações expressas e permanentes – em duas vias autenticadas, por favor.… Leia Mais...

26 jun 2015

Essa semana…

Post por VeronicaCobas às 13:39 em Crônicas, Verônica Cobas

Essa semana, um assunto tomou conta das redes sociais e dos programas vespertinos de televisão – o que prova que, tantas vezes, esses dois segmentos parecem iguais na amplificação de bobagens e na exploração desmedida do sofrimento alheio. Foi a cobertura da morte do cantor sertanejo Cristiano Araújo em um acidente automobilístico. Enquanto nas redes web uma grande quantidade de pessoas falava e até ironizava o desconhecimento sobre quem era a figura que gerava tamanha comoção, os programas de televisão – em especial aqueles entremeados por duzentos e cinquenta mil inserções publicitárias realizadas ao vivo, vendendo de cogumelo solar a colchão usado pela Nasa – externavam a morbidez midiática, falando do tema em seus mínimos detalhes. Mas é que os programas estavam respondendo a um claro interesse de uma parcela imensa da população, que não só conhecia o cantor e suas músicas, mas que – em sua grande maioria – é o mesmo público que adora esses programas que não buscam informação, mas impacto emocional travestido de audiência.… Leia Mais...