Verônica Cobas

25 jul 2014

Os vilões que construímos

Post por VeronicaCobas às 08:15 em Crônicas, Verônica Cobas

Sim, eu sou do século passado. Está certo que qualquer pessoa com mais de 15 anos é do século passado, mas eu – e as tantas outras pessoas da minha geração – são do século passado mesmo. Um tempo em que o mundo era completamente maniqueísta. Ou você era do bem ou você era do mal, mesmo que o bem e o mal fossem definidos pela sua própria ótica, ou pela ótica de seu universo familiar. As crianças eram educadas à luz das princesas e dos príncipes encantados, ainda que as princesas precisassem trabalhar e que a elas fosse oferecido o poder da conquista da própria independência. Pelo menos lá em casa era assim. Eram valores, objetivos, princípios éticos construídos na ideia do bem e do mal. E com pouca concessão aos possíveis desvios ou equívocos que a vida nos trouxesse, além dos perdões oferecidos, obviamente.

Falo de tudo isso pensando em quanto ainda hoje repetimos esse modelo, embora vivamos um tempo de espectro mais amplo e onde pais educam seus filhos também na lógica de que a visão maniqueísta do bem e do mal é muito mais larga do que a desenhávamos no passado.… Leia Mais...

18 jul 2014

Sobre nascer e morrer todos os dias…

Post por VeronicaCobas às 07:26 em Crônicas, Verônica Cobas

Acordo e sento para escrever essa crônica sob o peso de tantas notícias ruins: Israel mais uma vez impõe sua força bélica e beligerante por sobre os palestinos na Faixa de Gaza, um novo avião da Malaysian Airlines cai, desta vez derrubado por um míssel, impedindo a continuidade da vida de mais de 250 pessoas; uma mulher é morta com um tiro na cabeça no bairro da Gávea após sacar dinheiro de um banco. Impossível não sentir o peso das persas e das dores que as perdas provocam. E como se morrêssemos todos nós a todo o momento. Nessa manhã, morri com todas essas quase seiscentas pessoas que nos deixaram por motivos que só se explicam na crueldade por mais que tentem se enquadrar nos limites da sobrevivência.

Eu morro todas as vezes em que uma criança chora porque sua casa foi atacada e seus pais mortos pelas bombas explosivas da disputa estratégica do poder.… Leia Mais...

11 jul 2014

Olhe no espelho e veja!

Post por VeronicaCobas às 07:11 em Crônicas, Verônica Cobas

Se o amor tivesse forma, que forma teria o amor? Que jeito, que cor, que tamanho? Que medos e angústias teria o amor? Que desejos e manias? Que pequenas maldades ou muitos ciúmes teria o amor? Certamente, tudo aquilo que somos, que carregamos, que construímos e destruímos através da vida. O que conquistamos e o que dispensamos. Tudo o que apagamos com a água fria das palavras tortas e muito do que aquecemos com a tépida força das expressões doces.

O amor somos nós, somos eu e você. Somos todos juntos e cada um individualmente, com suas diferenças que alimentam as formas de amar por tantas vertentes e caminhos sinuosos. Não importa muito se é um amor bom ou um amor ruim, se é um amor que soma ou subtrai. Se é amor, se há amor sempre haverá a porta aberta, a chance única de entrar, ainda que seja preciso tirar os sapatos para começar tudo sem as pequenas ou grandes impurezas que trazemos coladas conosco.… Leia Mais...

04 jul 2014

Melhor ousar do que se iludir

Post por VeronicaCobas às 08:31 em Crônicas, Verônica Cobas

Uma das bobagens mais deliciosas da experiência humana é afirmar que não se mente. Pronto, já provou a bobagem. Está mentindo. Porque mentir não quer dizer, necessariamente, enganar a alguém. A maior parte das vezes significa a viagem na direção da ilusão, daquele mundo ou daqueles mundos paralelos que construímos e derrubamos e construímos novamente no subconsciente, e onde podemos ser aquilo que não somos na vida real consciente: onipotentes e oniscientes imperadores de um mundo feito à razão e semelhança do nosso prazer.

Mas é que a vida cronológica, dos anos que passam e dos sinais que refletem o passar dos anos em nossas trajetórias, acontecem aqui, do lado de fora, no mundo da consciência. E é, conscientemente, que mentimos. São pequeninas mentiras, aquela observação que  só quer ser gentil e não interpretativa, aquele até logo que quer dizer nunca mais, aquele “gostei” que inspira náuseas. São grandes mentiras, como traçar deliberadamente para alguém um alguém que não se é, pelo menos conscientemente.… Leia Mais...

27 jun 2014

Um olhar sobre a Copa do Mundo

Post por VeronicaCobas às 07:32 em Crônicas, Verônica Cobas

Crônica em pílulas e em tempo de Copa do Mundo…

…Uma vez, há uns 30 anos, meu filho chegou da escola com uma mordida no rosto. Ficamos tão chocados, tão doídos pela dor dele – que, obviamente, imaginamos – pela marca da dentada na bochecha, que apesar da justificativa na agenda escolar, não contivemos nosso ímpeto de responder de uma forma que, hoje, nos faz rir. Também na agenda escrevemos: “Amanhã, quando nosso filho chegar à escola, por favor, prendam o cachorro”. Pois os cachorros andam soltos por aí e quase todos tão somente a nos encher os olhos de alegria e generosidade afetuosa. Alguns, contudo, em especial os de formato bípede, cresceram e não perderam – e nem vão perder – o desejo insano de competir e viver burlando as regras, escamoteando as atitudes, disfarçando a maldade sob as vestes da vontade de ganhar. Gente que morde os outros e faz isso sequer sem a possível justificativa da legítima defesa é esquisito, é vil, merece punição e tratamento.… Leia Mais...